Birigui – O Tribunal do Júri de Birigui realiza nesta terça-feira (17) o julgamento de um caso que causou grande repercussão na cidade e reacende o debate sobre violência motivada por suspeitas e a chamada “justiça pelas próprias mãos”.
No banco dos réus está Lucas Vinícius Lopes, de 39 anos, acusado de matar Paulo Roberto de Oliveira, também de 39 anos, com disparos de arma de fogo na madrugada do dia 28 de fevereiro de 2023. O crime ocorreu na esquina das ruas Leonora Fioroto e Basílio Baffi, em Birigui.
Suspeita que terminou em tragédia
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, representado pelo promotor de Justiça Rodrigo Mazzilli Marcondes, o homicídio teria sido motivado por uma suspeita equivocada de furto de bateria automotiva.
Segundo consta nos autos do processo, dias antes do crime, a bateria de um Fusca pertencente ao acusado havia sido furtada. Revoltado com o ocorrido, o homem decidiu investigar por conta própria quem poderia ser o responsável pelo furto.
Ainda conforme a denúncia, em vez de procurar a polícia ou registrar ocorrência formal para apuração do caso, o acusado passou a percorrer as ruas da cidade tentando localizar o suposto autor do crime.
Abordagem na rua
Na madrugada do dia do crime, Paulo Roberto caminhava tranquilamente pela rua Basílio Baffi ao lado da companheira, empurrando uma bicicleta, quando foi abordado pelo acusado.
O Ministério Público descreve na denúncia que o réu estaria “arvorando-se da condição de polícia”, patrulhando as ruas em busca de quem teria furtado sua bateria.
Durante a abordagem, o acusado teria questionado a vítima de forma agressiva, exigindo saber onde ela morava e o que estava fazendo no local. A situação gerou um momento de tensão entre os dois.
Após uma primeira discussão, e depois de receber uma resposta considerada irônica por parte da vítima, o acusado deixou o local.
Retorno armado e os disparos
Segundo o Ministério Público, pouco tempo depois o homem foi até sua residência, pegou uma arma de fogo e retornou ao local da abordagem.
Na nova aproximação, a situação teria se agravado rapidamente. Assustada com o clima de hostilidade, a vítima teria pedido para que sua companheira se afastasse.
Foi nesse momento que, conforme a denúncia, o acusado sacou a arma e efetuou os disparos.
Ao todo, foram cinco tiros, sendo que três atingiram Paulo Roberto, que morreu ainda no local.
O laudo necroscópico apontou que a morte ocorreu em decorrência de anemia aguda causada por hemorragia interna traumática, provocada pelos ferimentos dos disparos.
Acusação de homicídio qualificado
Na denúncia apresentada à Justiça, o Ministério Público afirma que o crime foi cometido com duas qualificadoras:
- Motivo fútil, já que o assassinato teria sido motivado por uma simples suspeita de furto.
- Recurso que dificultou a defesa da vítima, pois a arma teria sido sacada de forma repentina durante a discussão.
Em trecho do documento, o MP destaca:
“O denunciado atuou impulsionado por motivo fútil, pois matou a vítima em razão de uma simples e errônea suspeita de que ela havia lhe furtado uma bateria de carro.”
Verdadeiro autor do furto
As investigações realizadas posteriormente apontaram que Paulo Roberto não tinha qualquer relação com o furto da bateria.
Conforme consta no processo, o verdadeiro suspeito pelo crime patrimonial foi identificado como Paulo Cesar Xavier, que acabou sendo preso dias depois no bairro ArtVille, em Birigui.
Ele era investigado por envolvimento em uma série de furtos de baterias automotivas na região.
Essa informação reforça a tese do Ministério Público de que o homicídio ocorreu por engano, motivado por uma suspeita equivocada.
Julgamento no Tribunal do Júri
O processo tramita sob a condução da magistrada Moema Moreira Ponce Lacerda, da Justiça de Birigui, e agora será analisado pelos jurados do Tribunal do Júri, responsáveis por decidir se o réu será condenado ou absolvido.
Durante o julgamento, devem ser apresentados:
- depoimentos de testemunhas,
- análise de provas e laudos periciais,
- além dos debates entre acusação e defesa.
Ao final da sessão, os sete jurados do Conselho de Sentença votarão sobre a responsabilidade do acusado no crime.
Caso teve grande repercussão
Na época dos fatos, o caso gerou grande repercussão em Birigui e região, principalmente por envolver uma morte causada por uma suspeita que depois se mostrou equivocada.
O julgamento também reacende discussões sobre violência motivada por desconfianças, justiça pelas próprias mãos e os riscos de acusações sem comprovação.
A sessão do júri deve movimentar o Fórum de Birigui, reunindo familiares, testemunhas e representantes da acusação e da defesa até a decisão final do Conselho de Sentença.
A expectativa é de que o julgamento se estenda por várias horas até o anúncio do veredicto.
fonte: Folha da Região