Araçatuba – A Justiça Eleitoral aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réu o ex-vereador Antônio Edwaldo Costa, conhecido como Dunga, no âmbito da “Operação Ligações Perigosas”, que apura crimes de corrupção eleitoral e suposto envolvimento com o Primeiro Comando da Capital em Araçatuba.
Além de Dunga, outras três pessoas também foram denunciadas, entre elas um assessor político e um motorista, apontados pelas investigações como integrantes de um núcleo responsável por articular a captação ilícita de votos e a distribuição de vantagens indevidas. Segundo o Ministério Público Eleitoral, o grupo teria utilizado a estrutura de uma organização criminosa para influenciar o processo eleitoral no município.
A investigação, conduzida pelo Gaeco em conjunto com a Polícia Civil, foi deflagrada em setembro de 2024 e também apurou crimes como tráfico de drogas e homicídios na região do bairro São José. De acordo com a denúncia, Dunga seria responsável por promover e financiar um grupo conhecido como “Esquina Maluca”, associado a integrantes do PCC e atuante no controle do tráfico de drogas na área.
Em troca de apoio político, ainda conforme o Ministério Público, teriam sido oferecidas vantagens como auxílio financeiro, custeio de advogados e facilitação de acesso a serviços públicos. As apurações incluem interceptações telefônicas e outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça.
O órgão afirma que a estrutura investigada teria sido utilizada para mobilizar eleitores, especialmente em áreas socialmente vulneráveis, comprometendo a liberdade e a legitimidade do processo eleitoral.
Procurado, Dunga informou que ainda não foi notificado oficialmente sobre a denúncia e negou todas as acusações. O ex-vereador afirmou também que parte das investigações anteriores foi arquivada e disse considerar “estranha” a aceitação da denúncia sem que tivesse sido ouvido.
O caso segue em tramitação na Justiça Eleitoral.