SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, SP – Uma grave denúncia de maus-tratos em uma creche particular no bairro Solo Sagrado, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, mobilizou a polícia e diversas famílias no último fim de semana.
O caso veio à tona depois que uma ex-funcionária da unidade escondeu um bilhete em uma mamadeira para alertar a mãe de um menino de dois anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2.
No bilhete, entregue na sexta-feira (12), a ex-funcionária pedia contato urgente, pois precisava falar sobre os cuidados com a criança. A mãe, uma técnica de enfermagem de 31 anos, só tomou conhecimento da situação após ser procurada pela berçarista nas redes sociais, que enviou fotos e vídeos como prova.
Alegações de Negligência e Isolamento
Segundo o relato da ex-funcionária à mãe, o menino era mantido isolado em condições precárias. Em uma das fotos, a criança aparece sozinha, sentada em uma cadeira de refeição, em uma sala vazia. A profissional alega que o menor era mantido sem refrigeração adequada e sob calor intenso, sendo encontrado suado e com fezes em outra imagem.
A ex-funcionária também denunciou condições insalubres de higiene na creche, estrutura precária, má armazenagem de alimentos e a prática de bebês dormirem no chão ou em colchões velhos e sujos.
A mãe informou que já suspeitava da situação devido ao comportamento agressivo incomum apresentado pelo filho, que está sob tratamento e medicação regular. Ela procurou uma advogada para formalizar a denúncia nas esferas civil e criminal no sábado (13), afirmando que irá “até o fim” para buscar justiça.
Direção Nega e Outras Mães Denunciam
No mesmo dia em que a denúncia foi formalizada, a direção da creche publicou uma nota em suas redes sociais, repudiando as acusações. A instituição classificou as alegações como “inverídicas” e sem “qualquer fundamento fático ou comprovação”, sugerindo que a denúncia estaria ligada a uma “disputa judicial” contra antigos proprietários.
Apesar da negativa da creche, pelo menos quatro mães procuraram a delegacia no sábado (13) para denunciar os supostos maus-tratos.
Até a última atualização desta reportagem, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) não havia retornado sobre o andamento das investigações do caso.
Fonte: G1