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De volta às urnas contra Tarcísio, Haddad tenta reescrever história em São Paulo

São Paulo – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), confirmou nesta quinta-feira 19 o que já se projetava há semanas: será candidato ao governo de São Paulo em outubro, na tentativa de desbancar Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscará a reeleição.

 

O anúncio ocorreu em um ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC ao lado do presidente Lula (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), de ministros e de parlamentares.

 

Haddad resistiu por meses à ideia de se lançar mais uma vez ao Palácio dos Bandeirantes, mas cedeu a Lula, que sempre o tratou como plano A. É, de fato, o mais competitivo expoente do lulismo para essa disputa, segundo as pesquisas de intenção de voto, mas inicia a pré-campanha em um cenário difícil.

 

Um levantamento Datafolha divulgado em 8 de março mostra Tarcísio com 44% das intenções de voto no principal desenho de primeiro turno, contra 31% de Haddad. Em um embate direto, o governador levaria a melhor por 52% a 37%.

 

Sondagem do Real Time Big Data expôs um panorama semelhante: em um eventual segundo turno, Tarcísio bateria Haddad por 50% a 37%. Candidatos costumam dizer que pesquisa não é um filme, mas a fotografia de um determinado momento: neste caso, o registro é de favoritismo para Tarcísio, com a ressalva de que há mais de seis meses até a eleição.

 

“A vitória política é sempre possível, basta você se apresentar de cara limpa, com um projeto que vai angariar apoio, somar, crescer, despertar a consciência das pessoas. Essa é a vitória da política”, discursou Haddad ao formalizar sua pré-candidatura. “Agora, é melhor quando você ganha eleitoralmente e consegue implementar aquilo que prometeu fazer. E é isso que podemos fazer em São Paulo. Devemos isso a São Paulo.”

 

Ele negou que sua decisão de concorrer seja um “sacrifício”, diante das condições eleitorais no estado. “Quem diz isso é porque ainda não sentou comigo para tomar um chope. Se me conhecesse, jamais diria que entrar no ringue por esta boa causa é um sacrifício para mim. É um grande privilégio lutar ao lado de vocês.”

 

Fernando Haddad deixa a Fazenda com conquistas relevantes, como a aprovação da reforma tributária, a elaboração do arcabouço fiscal, o crescimento do PIB acima do esperado, o desemprego baixo e a inflação sob controle.

 

Por outro lado, viu sua imagem triscar em momentos como a onda de desinformação sobre o Pix, a “taxação das blusinhas” e as constantes cobranças de emissários da Faria Lima por uma agenda de corte de gastos. Os ajustes anunciados ao longo dos últimos anos receberam, com frequência, a pecha de insuficientes.

 

O ministro também retorna à arena eleitoral sob o peso de três derrotas marcantes. Em 2022 para Tarcísio no segundo turno em São Paulo, por 55% a 45%; em 2018 para Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial, por 55% a 45; e em 2016, ainda no primeiro turno, em sua busca pela reeleição para prefeito da capital paulista – João Doria marcou 53%, ante 17% de Haddad.

 

Quatro anos antes, em 2012, Haddad havia conquistado sua única vitória eleitoral: superou José Serra (PSDB) no segundo turno, por 56% a 44%, e se tornou prefeito da maior cidade do País.

 

Àquela altura, Haddad concorria com as credenciais de ter sido ministro da Educação de 2005 (no primeiro governo Lula) a 2012 (na gestão Dilma Rousseff). Na eleição de 2012, o bom momento de Dilma também o impulsionou: uma pesquisa CNI/Ibope de novembro daquele ano mostrou que a aprovação pessoal da presidenta era de 78%.

 

O cenário mudaria radicalmente nos anos seguintes. As jornadas de Junho de 2013, a eclosão da Lava Jato e o impeachment de Dilma, em 2016, mergulharam o PT — e Haddad, por extensão — em sua crise mais profunda.

 

Em 2018, com Lula preso e fora da disputa presidencial, Haddad foi alçado às pressas ao papel de candidato, em uma eleição marcada pela ascensão da extrema-direita. Voltaria a enfrentar Tarcísio quatro anos depois e, embora tenha vencido na capital (54% a 46%), foi amplamente derrotado no interior: ganhou em apenas 79 municípios, contra 566 do adversário.

 

É justamente aí que reside o nó de 2026. O desafio de Haddad não é apenas reduzir a vantagem de Tarcísio, mas romper o cinturão antipetista que domina vastas regiões do estado. Uma das apostas para isso é a presença de Geraldo Alckmin, quatro vezes governador paulista e figura com forte penetração no interior. Em 2022, Tarcísio ocupou esse espaço que por décadas foi associado ao PSDB.

 

A insistência de Lula em montar um palanque robusto em São Paulo está longe de ser capricho. São Paulo é o maior colégio eleitoral do País, com mais de 34 milhões de eleitores. Em 2022, Lula perdeu para Bolsonaro no estado por 55% a 45%, mas ainda assim amealhou 11,5 milhões de votos, parcela decisiva para sua vitória nacional.

 

Secretário nacional de Comunicação do PT, o deputado federal Jilmar Tatto coordenará a comunicação da campanha em São Paulo. A CartaCapital, Tatto garante que Haddad parte de um piso de 30% dos votos e crescerá, devido à polarização no plano nacional entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

 

“É um governo que não tem placa de realizações no estado de São Paulo, diferente do governo Lula, que tem investido muito também no estado. Teremos de explorar essas contradições”, avalia Tatto. “Tarcísio tem um desgaste muito forte em relação ao processo de privatização da Sabesp, ao problema da Enel, à EMAE, e um descontentamento muito grande dos prefeitos, com falta de recursos e de atenção”.

 

A diferença pró-Bolsonaro naquele pleito foi de cerca de 2,7 milhões de votos. Em recente entrevista a CartaCapital, o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), sintetizou o cálculo político: “Uma coisa é perder aqui por dois milhões. Outra é perder por seis ou sete milhões. Aí não há onde compensar”.

 

França, aliás, chegou a se movimentar para ocupar o posto de candidato de Lula em São Paulo, mas não prosperou. Tampouco avançaram as alternativas envolvendo Simone Tebet (MDB) ou o próprio Alckmin, que desde o início deixou claro o desejo de permanecer na vice-presidência.

 

Começa agora, portanto, uma contagem regressiva. Haddad precisará potencializar os trunfos acumulados na Fazenda, administrar focos de desgaste, contar com eventual recuperação de Lula nas pesquisas e, sobretudo, produzir fatos novos capazes de sacudir um tabuleiro que, neste momento, ainda pende a favor de Tarcísio.

 

 

fonte: cartacapital.com

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