Araçatuba – Os pais de uma adolescente de 16 anos procuraram a polícia neste sábado (28) para denunciar que a filha teria sido vítima de estupro praticado por dois adolescentes de 15 anos, na Rua Floriano Peixoto, em Araçatuba.
De acordo com o boletim de ocorrência, a jovem possui diagnóstico de TDAH, dislexia, deficiência intelectual e depressão, recebendo acompanhamento psicológico desde os três anos de idade. Ela também é assistida pela APAE e, na escola, conta com acompanhamento de professores auxiliares.
Abordagem e encontro na academia
Segundo o relato dos pais, na sexta-feira (27) um dos adolescentes, que mora na mesma rua da família, foi até a residência da vítima e perguntou se ela iria treinar. O pai confirmou que sim, e o rapaz informou que também iria à academia.
Algum tempo depois, o pai levou a adolescente até o estabelecimento, localizado na Avenida dos Araçás, no Jardim Paulista. Ao chegar, ele viu os dois jovens em frente ao local, usando chinelos. Ao ser questionados, eles disseram que buscariam os tênis e voltariam.
Por volta das 20h, quando o pai retornou para buscá-la, a adolescente contou o que havia acontecido.
Convite, ameaça e violência
A jovem relatou que os rapazes foram até a academia, mas disseram estar com vergonha de treinar usando chinelos e pediram que ela fosse até a esquina, onde estariam aguardando.
Como não costuma andar sozinha na rua, a adolescente pediu ao proprietário da academia que a acompanhasse até o local. No entanto, ao chegarem, os adolescentes não estavam mais ali, e ela voltou para dentro do estabelecimento.
Pouco depois, recebeu nova ligação dizendo que eles estavam na esquina e pedindo que fosse encontrá-los. Ao se dirigir até o ponto combinado, ela afirma que passou a ser ameaçada de morte caso não os acompanhasse.
Segundo o relato, os dois adolescentes a puxaram para um terreno baldio na Rua Floriano Peixoto, onde começaram a tocá-la. Mesmo pedindo que parassem, eles retiraram parte de suas roupas e, conforme a denúncia, um deles forçou a jovem a praticar sexo oral.
A adolescente conseguiu reagir, vestir-se e ligar para o pai. Nesse momento, os suspeitos fugiram. Apesar das dificuldades decorrentes de seus transtornos, ela conseguiu retornar sozinha à academia, onde aguardou o responsável.
Contato com os envolvidos
Após o ocorrido, a mãe tentou contato com os adolescentes, mas descobriu que a filha havia sido bloqueada no aplicativo WhatsApp.
No sábado, ela foi até a casa de um dos envolvidos. A responsável pelo jovem afirmou que o filho costuma causar problemas e já teria furtado dinheiro da própria família. O adolescente alegou que o ato teria sido consentido e atribuiu a iniciativa ao outro rapaz.
Já o segundo adolescente apresentou versão diferente, negando o abuso e afirmando que a jovem teria mentido.
Investigação
O caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher, onde será instaurado inquérito policial para apuração dos fatos.
A Polícia Civil deve ouvir as partes envolvidas, testemunhas e solicitar exames periciais que possam esclarecer as circunstâncias da denúncia.