Essa afirmação é do cientista Aubrey de Grey e tem suas raízes em discussões sobre avanços científicos e tecnológicos, especialmente nas áreas de biotecnologia, medicina regenerativa e inteligência artificial aplicada à saúde (as quais já falamos muito sobre isso aqui). Ainda que soe como algo fantástico ou fora da realidade atual, isso reflete uma visão futurista otimista, que muitos cientistas e especialistas em longevidade têm promovido.
Os avanços que embasam essa tese são, de certa forma, impressionantes. Tecnologias como edição genética (com ferramentas como CRISPR, que já estão sendo usadas com muito sucesso em vegetais), terapias com células-tronco e nanotecnologia vêm avançando num ritmo bem acelerado. Além disso, cientistas estão desvendando mecanismos celulares ligados ao envelhecimento, com a expectativa de não apenas tratar doenças, mas também terapias que podem reverter os danos associados ao processo de envelhecimento. Isso alimenta ainda mais a visão de longevidade extrema.
E isso não é uma especulação de terraplanistas. Entre os principais defensores dessa ideia, encontram-se nomes renomados, como Aubrey de Grey, que está à frente da SENS Research Foundation e argumenta que o envelhecimento é uma condição tratável; Ray Kurzweil, futurista e engenheiro do Google, que acredita no potencial da inteligência artificial e nanotecnologia para alcançar a imortalidade prática; e David Sinclair, professor de Harvard e pesquisador dos processos biológicos do envelhecimento, autor do livro Lifespan. Esses caras, embora controversos em alguns círculos científicos, apontam para um futuro em que a medicina poderá romper barreiras antes consideradas intransponíveis.
A visão deles não deve ser desprezada. Kurzweil previu o surgimento do smartphone quando nem os celulares eram populares. Sinclair, em seus estudos, descobriu e identificou qual a proteína responsável pelo envelhecimento das células humanas. E Aubrey de Grey tem teorias respeitadas sobre como manter células jovens.
É claro que nem tudo são flores. Existem questões éticas, sociais e ambientais que também devem ser consideradas. Como, por exemplo, lidar com uma possível superpopulação. Além disso, de onde virão os alimentos e a energia para um número crescente de pessoas? E o acesso a essas tecnologias poderia acentuar as desigualdades globais, limitando os benefícios a parcelas privilegiadas da sociedade. Uma série de coisas, com certeza, mudaria completamente o comportamento e as regras da humanidade.
Também teria o impacto cultural e psicológico de uma vida tão longa. As pessoas poderiam ter múltiplas carreiras, criar várias gerações de famílias, repensar conceitos como propósito e aposentadoria, etc, etc. Ao mesmo tempo, isso mudaria a forma como encaramos relacionamentos, objetivos e a ideia sobre a morte.
Mas o curioso é que os estudos mostram que a expectativa de vida do ser humano (em geral), vem aumentando gradativamente com o tempo. Dois séculos atrás viver até 50 anos era a média normal. Nos últimos cinquenta anos, segundo os cientistas, o ser humano já ganhava 1 ano a mais de vida a 4 anos vividos e, atualmente, a estimativa é que a cada 6 meses vividos, o ser humano ganha mais 1 ano de vida. Isso explica o título desse artigo, pois se isso acontecer é bem possível que os bebês nascidos hoje poderão viver 8 séculos. A decorrência dessa longevidade seria decorrente, principalmente, de dois tipos de tecnologia: a Inteligência Artificial e a Biotecnologia.
Contudo, apesar de todos esses avanços, a ideia de viver centenas de anos ainda é meio que uma especulação, pois tem pela frente diversas barreiras biológicas e tecnológicas. Mas, de certa forma, esse tipo de tese nos incentiva a refletir sobre o futuro da humanidade e suas implicações num mundo onde a longevidade extrema poderia ser possível. Isso nos desafia a pensar não apenas no que é possível cientificamente, mas também nas transformações sociais que uma mudança tão radical desse tipo traria para nosso cotidiano, para nossa vida.